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O ponto de encontro dos cinquentões

14 de setembro de 2009 comente

Longevidade
Sem tempo a perder, a geração madura usa a internet para encontrar parceiros. E tem sucesso

Verônica Mambrini - Revista ISTO É

FOTOS: DANIELA DACORSO/AG. ISTOÉ; SHUTTERSTOCK

Filhos criados, carreira estabelecida e, para alguns, casamento desfeito. Poucos anos atrás, muita gente consideraria esse estágio da vida como a hora de sossegar e esperar pelas águas calmas da terceira idade. Mas mudanças sociais e tecnológicas estão tornando a casa dos 50 anos uma porta de entrada para uma fase em que paquerar e encontrar um novo par têm papel fundamental. E o principal catalizador de novos relacionamentos para essa faixa etária é a internet.

Era o que buscava a assistente social Marilene Correa, 53 anos, quando se inscreveu na rede de relacionamentos ParPerfeito. Foi lá que ela conheceu o atual parceiro, o engenheiro Marcus Chame, 56 anos. "Começamos a conversar em dezembro de 2006 e nos vimos em março do ano seguinte", conta. Os dois descobriram muitas coisas em comum: eram separados, tinham a mesma religião, duas filhas criadas e gostavam de sair para dançar.

Depois de muitos e-mails e alguns encontros, o namoro engatou e, hoje, o casal mora junto. Marilene acredita que a chance de perder tempo com gente que não vale a pena é menor na rede. "Sempre achei os classificados de revista interessantes, românticos. A internet reeditou isso numa outra linguagem e velocidade." E os brasileiros não param de explorar esses novos territórios. Com média de 45 horas mensais, o País é líder em tempo de navegação e a faixa etária acima de 50 anos é a que mais cresce. De acordo com o Ibope, o número de pessoas de mais de 50 que usam a internet mensalmente passou de 6% no final do ano 2000 para 13% em 2009 (leia quadro).

Outro fator que engrossa a turma da paquera madura online é o envelhecimento da população brasileira. "A população 'envelhecente' é grande e diferenciada e muita gente não está disposta a se isolar", afirma Regina Celia Gorodscy, professora de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

O portal Maisde50 é voltado exatamente para esse público, oferecendo conteúdo e uma rede de relacionamentos para essa faixa etária. "As pessoas entre 45 e 65 anos passaram a usar mais a internet nessa última década", afirma Ana Fraiman, psicoterapeuta do Maisde50.

O perfil do público maduro passou por mudanças, como a inclusão do homem, que ficava mais afastado dos movimentos de socialização. "Eles eram muito mais solitários, porque se voltavam para o trabalho", afirma Ana. Claudio Gandelman, do ParPerfeito, também detecta essa mudança de perfil.

No geral, a base de usuários do site pende para uma maioria feminina, mas nessa faixa etária os homens são 52%. "As pessoas mais velhas estão aprendendo a usar o computador", afirma Gandelman. "Mas eles pedem eventos ao vivo, querem a maior quantidade possível de interação." Essa necessidade de trazer logo o virtual para o real é outra característica dos relacionamentos maduros.

"Para os mais velhos, a internet é um meio de chegar ao conhecimento pessoal", diz Ana. "Eles entendem que se relacionar é ficar perto, se comprometer." A psicóloga Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP, lembra que embora os relacionamentos pela rede tenham características próprias, essa geração joga do jeito que aprendeu. "Pela vivência de cada um, as pessoas mais maduras estão bem mais familiarizadas com as regras da vida offline."

Mesmo depois de ter feito várias amizades pelo Maisde50, o técnico de TI José Maria Alves da Silva, 52 anos, ainda não havia achado um par. "De repente, em um dos almoços organizados pelo site, aconteceu", diz Alves. "A Leninha me tirou para dançar, nos conhecemos e começamos a trocar mensagens pela rede." Leninha de Castro, secretária, tem 41 anos e inscreveu- se no Maisde50 em busca de pessoas mais maduras.

"Como nos conhecemos no almoço e rolou um clima legal, divertido, nos adicionamos na lista de contatos e logo estávamos namorando", diz. Para a psicóloga Ana Fraiman, essa faixa etária sente que não tem tempo a perder e sabe exatamente o que quer. "O medo de ficar sozinho é muito forte, mas é pior ficar com a pessoa errada.

Por isso, eles se afastam rapidamente das relações que não interessam."Depois de passar 19 anos casado, o consultor José Carlos Barbosa, 49 anos, usou os sites de relacionamentos para reaprender a ser solteiro. "Foi um processo de reinclusão", afirma. "Fui me ambientando com tudo: lugares, roupas, contatos." Embora ainda não tenha achado a pessoa ideal, ele não perdeu a esperança de encontrar uma parceira pelo site. "Tenho certeza de que estou no caminho certo."



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