1.o Colocado "LONGEVIDADE HISTÓRIAS DE VIDA BRADESCO SEGUROS" 2012

O olhar ao idoso no Japão e na China - por Silvia Masc

25 de abril de 2013 18 comentários


Na China e no Japão, a velhice é sinônimo de sabedoria e respeito.

O fenômeno envelhecer é natural e inerente a toda espécie e tem sido preocupação da chamada civilização contemporânea.

Os idosos são tratados com respeito e atenção pela vasta experiência acumulada em seus anos de vida.

A família é o Porto Seguro do idoso.

Os familiares mais jovens declaram com orgulho os sacrifícios realizados pelos seus idosos em benefício da família, como a iniciação ao trabalho muito cedo com pouca instrução para o sustento e estudo dos filhos, demonstrando sempre alegria, festa e plenitude pela presença do idoso.

A cultura dessas sociedades tem como tradição cuidar bem, glorificar e reverenciar seus idosos, resultado de uma educação milenar de dignidade e respeito.Os japoneses consultam seus anciãos antes de qualquer grande decisão, por considerarem seus conselhos sábios e experientes.

Em outros grupos das sociedades antigas, o ancião sempre ocupava uma posição digna e era sinônimo de forte aspiração perante todos.

Os idosos têm intensa atuação nas decisões importantes de seus grupos sociais, especialmente nos destinos políticos.

Na antiga China, o filósofo Confúcio ( que viveu entre os anos 551–479 a.C) já apregoava que as famílias deveriam obedecer e respeitar ao individuo mais idoso.

Na tradição japonesa é festejado de forma solene o aniversário do idoso.

No Japão, o Dia do Respeito ao Idoso (Keiro no hi) é comemorado desde 1947, na terceira segunda-feira de setembro, mas foi decretado como feriado nacional apenas em 1966.

Trata-se de um feriado dedicado aos idosos, quando os japoneses oram pela longevidade dos mais velhos e os agradecem pelas contribuições feitas à sociedade ao longo de suas vidas.

Não se pergunta a idade a uma mulher jovem, mas sim às mais idosas, que respondem com muito orgulho terem 70 ou 80 anos, ao contrário do que se passa na sociedade brasileira, em que a partir de certa idade não se deve perguntar a idade a uma senhora para não causar constrangimentos, como terem-se muitos anos de vida fosse um motivo de vergonha ou ter-se algo a esconder.

Na tradição japonesa, ao completar 60 anos, é permitido ao homem o uso de blazer vermelho, pois somente com seis décadas de vida há a liberdade de usar a cor dos deuses.
(No Brasil a cor vermelha é destinada para os mais jovens, à medida que os indivíduos envelhecem as cores destinadas são as mais claras, pálidas, sóbrias, tristes).

Na sociedade chinesa é comum se encontrar anciãos, com 90/100 anos, fazendo diariamente atividade física nos parques municipais.

Como podemos mudar esse quadro no Brasil?

  • Estreitar o relacionamento com as pessoas idosas próximas, ouvir e valorizar suas histórias de vida.
  • Conhecer mais sobre os aspectos sociais, econômicos, étnicos, culturais, legais e biológicos do envelhecimento na sociedade brasileira e repensar as atitudes/valores quanto ao idoso.
  • Desmistificar as causas de criação de mitos e falsos parâmetros a cerca da velhice no Brasil.
  • Investir nas crianças de um aos três anos, momento da constituição da personalidade, propiciando a aproximação das mesmas aos idosos e que pelo exemplo de cuidado, atenção e respeito de seus pais a essas pessoas, as crianças poderiam internalizar esses valores/atitudes, apoiadas pelas escolas, igrejas e grupos sociais.
  • Reconhecer a potencialidade laborativa dos idosos sua saúde, energia e criatividade.
  • Favorecer a inclusão social do idoso promovendo o sentido da sua existência.
Enfim, o envelhecimento deve ser visto como o alcance de certo patamar de desenvolvimento humano, indicado pela presença de papéis sociais e de comportamentos considerados como apropriados ao adulto mais velho, designando-lhe adjetivos como experiente, prudente, paciente, tolerante, ouvinte, e acima de tudo sábio.




Sinta-se em casa e deixe seu comentário.

18 comentários:

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Mais uma das terríveis coisas do ocidente... :/

Tati Pastorello disse...

Amei! Material para muita reflexão. Parabéns por mais este texto.
Um beijo.

Barbie Girl disse...

Oi Sílvia

Você sempre trás matérias maravilhosas que nos remete à muitas reflexões!

boa semana, beijos azuis!

♥ "Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros" Ernesto Che Guevara ♥

Silvia Masc disse...

De fato Francisco, isso deixa claro a questão cultural, e estamos anos luz atrás.


beijinho

Silvia Masc disse...

Tati, e Cintia, a idéia é essa, que as pessoas que nos visitam reflitam sobre essas questões.

beijinho para ambas.

Leci Irene disse...

Boa tarde,meninas! Assunto para parar e refletir. Refletir sobre a maneira como quero ser tratada,na maneira como estou tratando meus idosos da familia e amigos. ... talvez tudo deva começar lá no inicio da familia, qdo a familia se forma, na educação dos filhos em relação a este assunto, na educação recebida nas escolas.... talvez o governo do país deva ser um exemplo ao tratar bem nossos idosos qto ao atendimento à saúde, qto a remuneração que recebe como aposentadoria...

Danilo José Soares disse...

Como sempre, excelente abordagem. E ainda muitos imigraram ao ocidente e além de todas as dificuldades naturais agregaram a barreira da língua e cultural e levaram avante suas famílias. São heróis e devem ser venerados. Aprendemos muito com eles e espero que muitos tenham aprendido a respeitar os idosos pela sua sabedoria também!

milton toshiba disse...

Respeito ao próximo, seja em qualquer idade depende da educação desde criança, mas cada dia que se passa, os valores mudam para pior. Nesse domingo, um idoso com sua filha estava nas cadeiras nobres do Morumbi e foram agredidos porque idoso era torcedor do Santos. Fora
retirados pela PM e nesse momento um jovem os agrediu.
Duvido que algum dia mude por aqui, nem tanto pela idade, mas respeito ao ser humano. São ingressos caros, teoricamente comprados por pessoas mãos a abastardas e educadas

bj

Dora Regina disse...

Muito bom o texto, um exemplo que deveria ser imitado por toda humanidade, mas infelizmente não é assim, sabemos que o idoso nem sempre é tratado com carinho e nem dentro do aconchego familiar, tristemente!
Um abraço fraterno!

Silvia Masc disse...

Sim Danilo, e deveríamos imitá-los.

beijinho

Silvia Masc disse...

Lamentável não Milton? Infelizmente essa violência existe e acontece em todas classes sociais.

beijinho

Silvia Masc disse...

è Dora, e como dizem os chinezes, se você quer ter um povo educado, começe educando os avós, quem sabe um dia chegaremos lá.

beijinho

Lu Souza Brito disse...

Minha querida amiga Silvia,

Quanta diferença podemos perceber entre a cultura oriental e a nossa né?
Aqui o coitado do idoso sequer pode opinar, pois é ignorado solenemente, já que "está ultrapassado". É triste demais ver como se perde a dignidade quando se envelhece.
Eu vou mais além: sabe este medo, este temor absurdo que a maioria das pessoas tem de envelhecerem?
É por reconhecer os maus tratos (digo de todos os tipos) que os idosos sofrem, até por estes que temem o envelhecimento. E aí você pensa: eu nao quero ficar velho e passar por tudo isso.
A postura de cada um deveria mudar desde aí. Oras, acaso achas que nao vai envelhecer, que não precisará de seus familiares, da paciencia dos seus filhos, do amor dos seus netos, do respeito ao que você é e ao que já foi um dia para aquelas pessoas???

Eu admiro muito o amor e a dedicação da minhã mãe para com minha avó, portadora de Alzheimer e sempre penso que o mínimo que posso fazer por ela se ela acaso um dia precisar de mim como minha vó precisa dela nesse momento, é dar todo amor, carinho e cuidado.

Um beijo Silvinha!!

Beth/Lilás disse...

É, Silvia, este modo asiático de tratar os velhos deveria ser exportado para todo o mundo!
Fico impressionada aqui no nosso país como o velho não tem vez.
Sabe, noutro dia estava comprando um almoço pra mim num restaurante aqui perto de casa. Fiz minha quentinha e fui para uma pequena fila para pagar.
À minha frente tinha uma senhorinha, magrinha, mulata, simples, mas digna e quando chegou a vez dela, um homem, mais ou menos uns 50 anos, mulato e magro, passou a frente dela e pagou imediatamente com dinheiro certo. O cara que recebeu o dinheiro nem percebeu a falta de educação do sujeito e recebeu assim mesmo.
A velhinha também não reclamou e pagou a seguir. Mas eu, que não aguento injustiças, falei pro rapaz do caixa que prestasse mais atenção com os 'ixpertos' que aparecem assim, pois deixou-me constrangida atrás da velha senhora que nem ligou pro fato, como se já estivesse acostumada a isso.
Triste né!

bjs cariocas

Cristiane A. Fetter disse...

Silvia, acho este tipo de comportamento cultural uma grande escola para países como o nosso, mas que minha mãe não saiba disso,rs.
É que eu considero o idoso uma fonte de conhecimento e conselhos não de ordens, já que minha mama acha que devemos seguir exatamente o que ela diz, e olha que nem é tão velha assim, só tem 63 anos, ai meus sais!, rs.
bjks

Anônimo disse...

Sílvia sua matéria está maravilhosa,que até me ajudou a elaborar minha redação sobre "Valorização do idoso".Muito obrigada!!!!!

Anônimo disse...

Tenho um trabalho para fazer sobre isso e gostei muito da materia!!!!
Mas gostaria de mais informaçãoes, atenciosamente Gabriella
Beijos e abraços

Mr.Clean Odontologia e Saúde disse...

Amamos o seu blog, Silvia.
Tudo que diz respeito a mudança quanto ao nosso triste olhar para o idoso é sempre bem-vindo. Ótima colocação. Culturas milenares são sempre referências para nossa sociedade.

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