1.o Colocado "LONGEVIDADE HISTÓRIAS DE VIDA BRADESCO SEGUROS" 2012

Os novos velhos

21 de outubro de 2011 1 comentário
É rotineiro o noticiário sobre a população idosa no Brasil: mudanças na legislação da aposentadoria; o cotidiano dos novos velhos; técnicas de rejuvenescimento e pesquisas sobre a dilatação dos limites da mortalidade.


Na segunda década do século a longevidade crescente das populações é tema que se juntará à massa de informações sobre terrorismo, violência e aquecimento global.
Na Alemanha, a cada duas meninas de hoje, uma chegará aos cem anos. No arquipélago japonês de Okinawa, vivem 900 centenários saudáveis e o país é campeão em longevidade. Na França e na Itália as populações se mantêm estagnadas. As pirâmides populacionais tendem à forma retangular e, em breve, os estados terão diante de si uma escolha de Sofia. Continuar destinando orçamentos massivos para a educação da população infantil ou atender as necessidades básicas da imensa população idosa. Haverá recursos para investir nas duas pontas?

Aqui, anunciam-se monumentais déficits na previdência social. Mas pouco se fala sobre a corrupção, as fraudes, os desvios de fundos para outros fins que não o bem-estar dos idosos e as centenas de empresas sonegadoras que transgridem leis de repasse sob o olhar complacente de tribunais. Usa-se o aumento da população de idosos como cortina de fumaça para justificar o saldo negativo.
O envelhecimento do mundo ocidental é um fenômeno que se antecipa às projeções. Elas desenham um ocidente envelhecido para o futuro próximo e um mundo oriental cada vez mais jovem porque lá as populações continuam crescendo – cenário inquietante para o equilíbrio político avaliado da perspectiva ocidental.

Nas classes médias urbanas das capitais brasileiras, a expectativa de vida atual é semelhante à europeia. Mas há contrastes, dada a abissal desigualdade de renda que ainda estigmatiza o país. Há uma população de aposentados, cada vez maior, no mercado de trabalho. Uns sobrevivem de modo precário, fazem biscates, têm empregos menores. Na favela, a avó administra a casa, controla a vida doméstica para que os pais possam trabalhar fora, e contribui para o sustento familiar.

Os novos velhos das altas classes médias estão ativos. São consultores, presidentes de conselhos empresariais, comerciantes, profissionais liberais. Ninguém quer aparecer envelhecido para não ser expulso do mercado profissional, sexual e de consumo. Gasta-se fortunas em remédios, cosméticos, plásticas sucessivas, preenchimentos, revigorantes sexuais, academias, cabeleireiros, agências de turismo, spas, antidepressivos. O Brasil é um dos dois maiores mercados consumidores no universo da guerra à velhice.
No Rio, onde a obsessiva cultura do corpo assume contornos histéricos, a palavra velhice soa mal. Pode significar descartabilidade, discriminação, aposentadoria compulsória, solidão, pobreza. O marketing, no entanto, mascara a velhice com expressões ridículas – terceira idade, feliz idade. E os idosos são velhinhos; um modo de desqualificá-los, infantilizando-os.

Mas uma revolução de idosos segue o seu curso. Os novos velhos exercem a cidadania, votam, são produtores e consomem. Atuam, representam, circulam, decidem, participam e agem. Por enquanto, constituem modesta força de trabalho, mas logo estarão no patamar dos novos velhos dos países centrais e vão ser uma formidável massa populacional quando a imensa população de baby boomers entrar nessa nova velhice.
Por isto, envelhecimento global será uma expressão-chave para os próximos anos.

O GLOBO, pela jornalista LÉA MARIA AARÃO REIS, especialista em assuntos gerontológicos.


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1 comentários:

Lu Souza Brito disse...

Bom dia Silvia,

É verdade, ninguém quer parecer velho. Mas vai além disso. Os novos velhos são mesmo muito ativos, com bastante disposição. E se antes alguém de 60 anos era considerado velho e ultrapassado para o mercado de trabalho principalmente, hoje não é mais assim. Bom, para aqueles com menos instrução e que durante toda vida trabalhou em atividades braçais ainda é, já que sua saúde não foi objeto de preocupação durante todo este tempo.
E as políticas governamentais precisa se preparar para isso não é?
Eu mesma já fiz minhas contas: aos 48 anos já terei "tempo de serviço' para me aposentar. E eu te pergunto: você acha mesmo que vou querer me aposentar daqui menos de 20 anos???
Primeiro por que espero estar em plena atividade, segundo que as condições para um aposentado sao lastimáveis. Ai de nós se nao investirmos em uma aposentadoria privada...

Beijos

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