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A batalha contra o cigarro

9 de fevereiro de 2009 4 comentários



- Um dado que impressiona, principalmente quem não fuma: 80% dos ex-fumantes dizem que largar o vício foi o maior desafio de suas vidas. A empreitada é até pior para as mulheres, pois, além da dependência química, elas costumam ter uma relação afetiva com o cigarro. Veem nele um companheiro e um remédio para contrabalançar o estresse, tristezas e frustrações. Ainda por cima, são mais suscetíveis à depressão, que pode ser desencadeada tanto pelo hábito de fumar como pelo abandono do vício.

A boa notícia é que há novos medicamentos e combinações para quem quer dar um basta ao vício, além de profissionais capacitados.

Foi-se o tempo em que a responsabilidade toda era jogada nas costas do fumante: ninguém mais diz que é preciso apenas força de vontade para abandonar o cigarro. "Esta é uma ciência em construção", comenta o pneumologista Sérgio Ricardo Santos, coordenador do programa PrevFumo, do Ambulatório de Tabagismo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que oferece atendimento gratuito para fumantes (paga-se apenas os medicamentos). E 60% dos pacientes são do sexo feminino.

Depois de uma entrevista para saber o grau de dependência e perfil da pessoa, define-se o tratamento. Pode-se usar um remédio específico ou adesivos de reposição de nicotina. "No grupo, eles aprendem habilidades para parar de fumar. Também tiram dúvidas e trocam experiências", esclarece o pneumologista. O PrevFumo atende de 600 a 800 pacientes por ano, e a taxa de sucesso é de 60%.

O coordenador salienta que um dos principais desafios para as mulheres pararem de fumar é vencer a depressão, mal que acomete 20% da população feminina. No programa, avalia-se a propensão a essa doença. "Muitas mulheres deprimidas fumam para tratar a depressão, porque a nicotina é um antidepressivo", explica. "É um péssimo remédio, mas alivia os sintomas. Quando param de fumar, a depressão volta." Por outro lado, há situações em que a depressão é desencadeada pelo tabagismo. "A nicotina causa um desequilíbrio de neurotransmissores, entre eles, a serotonina. Isso pode causar ou tratar a depressão, dependendo do caso."

Por esse motivo, explica o médico, geralmente consegue-se maiores taxas de sucesso entre as mulheres quando se usa medicamentos com ação antidepressiva, como os que contêm bupropiona. O pneumologista acrescenta que a vareniclina - componente de um novo medicamento que age nos receptores de nicotina do cérebro e libera uma pequena quantidade de dopamina, que proporciona uma sensação de prazer - também tem alta de taxa de sucesso entre elas. "De maneira geral, o homem busca apenas prazer no cigarro. Já a mulher procura uma forma de enfrentar os problemas."

Há, ainda, a questão da vaidade. Por um lado, o cigarro causa palidez, menor tonicidade cutânea, mau cheiro e dentes amarelados. Mas, por outro, pode acarretar ganho de peso quando há abandono do vício. "Geralmente, engorda-se em torno de 3 a 4 quilos, porque o corpo gasta muita energia para lutar contra o cigarro", diz. "Mas quando se trata a dependência com acompanhamento médico, o ganho é de 1,5 a 2 quilos."

CORAÇÃO FORA DE COMPASSO

A cardiologista Jaqueline Scholz Issa trabalha há 15 anos com o combate ao cigarro. Criou o Ambulatório de Tratamento de Tabagismo do Instituto do Coração (Incor) em 1996, uma referência no setor. Desenvolveu um software que mede o grau de dependência e ajuda na escolha dos medicamentos para cada caso. Há dois tipos de atendimentos: gratuito, via Sistema Único de Saúde (SUS), para quem tem problemas cardíacos; e por convênio, para todos. "O número de enfartes entre as mulheres está aumentando, em consequência da adoção de hábitos masculinos, como o tabagismo", alerta.

Segundo a médica, hoje há um arsenal de medicamentos que podem ser combinados, o que amplia as chances de sucesso. Mas o segredo para vencer o vício é mudar o estilo de vida. "Isso também inclui exercício."

Fonte: Fabiana Caso - O Estado de S.Paulo


4 comentários:

Ninguém envolvente disse...

Cigarro é uma das piores invenções da humanidade, pior até mesmo que uma bomba atômica, mata muito mais ou igual por ano que uma bomba faria em um só dia. Mas pior mesmo, são aqueles que não morrem, ficam lá com algum câncer (laringe, boca, pulmão..) sofrendo.

Mariana disse...

Graças a Deus, nunca fumei.

Um beijo e ótima semana pra vc!

milton toshiba disse...

Minha esposa era fumante, consegui parar por 3 anos e um dia ela resolveu "brincar" com um cigarro. Resultado, voltou fumando o dobro de seu habitual.

Agora ele conseguiu novamente, sem medicamentos ou adesivos (funcionam muito bem), na base da força de vontade.

Já são 2 anos e 2 meses, mas agora ele se mantém longe deles, pois sabe que esse vício é para sempre.

os fumantes tornam-se dependentes químicos da nicotina.

abrs

poetaeusou . . . disse...

*
ainda existem
pessoas que fumam ?
,
conchinhas
,
*

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