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Idoso demora mais para buscar tratamento de jogo compulsivo

13 de maio de 2010 1 comentário
Quem já ouviu aquela piadinha?

- Quer ver uma velhinha falar um palavrão?
Basta gritar BINGO!
Brincadeiras a parte o assunto é muito sério.

Pesquisa que analisou pacientes com mais de 60 anos em tratamento de jogo compulsivo no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) mostra que os idosos levam mais tempo para procurar assistência especializada. Ao mesmo tempo, o estudo da psicóloga Cecília Galetti indica que o idoso, por apresentar um quadro clínico menos grave que os pacientes adultos, pode responder melhor ao tratamento e ajudar a difundir informações sobre os riscos do jogo compulsivo.
Homens idosos começam a jogar mais cedo do que as mulheres

O estudo avaliou o perfil sócio-demográfico e dos comportamentos de jogo e de risco dos idosos que procuraram tratamento específico no Ambulatório de Jogo Patológico do Instituto de Psiquiatria (IPq) do HC, atualmente denominado Programa Ambulatorial do Jogo Patológico. “As características dos idosos foram comparadas com a dos pacientes adultos, com idade entre 18 e 59 anos”, afirma Cecília. O trabalho foi orientado pelo psiquiatra Hermano Tavares, professor da FMUSP.

De acordo com as estatísticas levantadas pela psicóloga, os homens idosos tendem a começar mais cedo a jogar do que as mulheres. “Em média, iniciam na juventude, por volta de 27 anos, enquanto as idosas começam no jogo aproximadamente entre 47 e 50 anos”, conta. “Ambos os grupos, porém, só vão procurar atendimento depois de completarem 60 anos.”

Em relação aos pacientes adultos, os idosos possuem maior número de filhos, menor grau de instrução, melhor condição sócioeconômica e normalmente vivem sozinhos. “A soma desses fatores pode representar um maior risco para o idoso se envolver com o jogo”, alerta Cecília. “No caso do grau de instrução menor, isso pode significar um menor entendimento de que o jogo pode se tornar um vício, uma doença.”

Tratamento
Quanto aos jogos mais procurados, não há muita diferença entre adultos e idosos, relata a pesquisadora. “Ambos mencionaram a preferência por jogos eletrônicos, como o vídeo-bingo e as máquinas caça-níqueis”. Além de demorarem mais tempo para procurar tratamento, o desenvolvimento da doença entre os idosos é mais lento.

A pesquisa também aponta que os idosos apresentam menos gravidade no quadro clínico, o que sugere uma menor impulsividade. “Isso indica que eles podem responder melhor ao tratamento”, ressalta a psicóloga. “Ao mesmo tempo, há a possibilidade de se tornarem agentes multiplicadores, alertando outros idosos, o que viria a aumentar o número de pessoas que procuram atendimento.”

Cecília observa que os idosos representam atualmente cerca de 10% dos atendimentos realizados no IPq. Os interessados em fazer tratamento no Programa Ambulatorial do Jogo Patológico do HC devem agendar a triagem no telefone (11) 3069-7805. A seleção consiste em questionários de auto-preenchimento e uma avaliação neuropsicológica. Caso sejam diagnosticados problemas com o jogo, o paciente faz uma avaliação psiquiátrica, que verifica a necessidade ou não do uso de medicação, e passa por um período de psicoterapia.

“Após a psicoterapia, se o paciente alcançou a abstinência, ele pode ser encaminhado para outros grupos, como o de qualidade de vida, tabagismo e sexualidade, se houver a necessidade e o interesse em trabalhar outras questões”, informa a psicóloga.

Por Júlio Bernardes - jubern@usp.br
Publicado em 23/março/2010 - AGÊNCIA USP

Mais informações: cgaletti@usp.br

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1 comentários:

welze disse...

penso que no começo, até pode existir o apoio da família para que o idoso tenha uma ocupação, uma distração. Então, dá-lhe bingo. Depois, com o tempo,a distração passa a ser um vício e provavelmente não visto dessa forma pelo idoso ou sua família. Há necessidade de trabalho conjunto para tratamento.

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