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Anorexia na maturidade

16 de junho de 2010 3 comentários
Meninas, adultas e senhoras
A tendência de envelhecimento da anorexia nervosa – reconhecida por sintomas de distorção da imagem (muito magras que se enxergam gordas) e danos físicos e psicológicos severos – é confirmada por Liliane Kijner Kern, psiquiatra do Programa de Orientação e Atenção ao Pacientes com Transtorno Alimentar (Proata), serviço da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).


“É muito recente. Ainda falta literatura médica até para sabermos como tratar estas pacientes” diz a especialista.

No Ambulatório de Anorexia, Bulimia e outros Transtornos Alimentares (Ambulim), do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), o mesmo fenômeno foi diagnosticado: 13,5% das 289 pacientes internadas durante o ano passado por causa do distúrbio tinham passado dos 35 de idade – mas pesavam pouco mais de 20 quilos.

A explicação dos especialistas para uma parte das pacientes mais velhas adotar o esquema “dieta zero” já em uma faixa etária mais avançada é simples: elas não são adolescentes, mas continuam expostas e pressionadas por um padrão de beleza muito magro. As propagandas de xampu, hidrante e sutiã são as mesmas, independentemente da idade.

Fatores múltiplos


Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto , 67 anos, ajuda a entender o avanço de casos de anorexia em mulheres da mesma idade. Ela nunca havia se preocupado com as curvas até os 55 de idade. Prestes a virar uma sexagenária, confrontada com o espelho, não gostou da imagem que viu. Lembrou que o manequim não era mais 38, viu que as colegas de trabalho eram mais jovens e mais magras e ainda tinha de conviver com os mistérios da menopausa e a dificuldade de manter o peso por causa dos remédios para controlar o colesterol. “Poderia ter pirado ali”, acredita.

A Heloísa que reúne os anseios de muitas mulheres de sua faixa etária é a Helô Pinheiro, a garota de Ipanema, eterna musa e ainda assim vulnerável aos desafios trazidos com o passar dos anos. Ela não caiu nas estatísticas de transtornos alimentares. Aprendeu a admirar a própria beleza, mas conta que muitas colegas de faixa etária semelhante não tiveram a mesma sorte.

Liliane, a psiquiatra da Unifesp, explica que, de fato, não é só a insatisfação com o corpo que desperta a anorexia entre as pacientes mais velhas. “O gatilho pode ser uma separação do marido, a ausência dos filhos, a sensação de estagnação no trabalho”, completa.

Vaidade fatal
Como são maiores de idade e têm renda própria, as doentes com mais de 40  conseguem ainda usar outras formas de agredir o corpo que vão além restrição alimentar. Acabam repetidas vezes nos consultórios de cirurgiões plásticos na tentativa obsessiva de mudar a forma física, pontua o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Sebastião Guerra.

“As pacientes psiquicamente transtornadas geralmente se apresentam de forma confusa, desejando na maioria das vezes o que é considerado impossível”, alerta Guerra. Para ele, é necessário o reconhecimento deste tipo de caso por parte dos profissionais da área. Não só o bisturi, mas dietas malucas também podem deformar o corpo. Além da magreza, o resultado pode ser osteoporose, fraturas e até a morte, todas consequências associadas à anorexia nervosa.

Limite da sobrevivência

O Hospital das Clínicas de São Paulo e no Centro de Internação Psicossocial de Itapeva – para onde são encaminhados os casos mais graves de anorexia nervosa tratados na Unifesp e no Ambulim – reúnem muitos exemplos de mulheres que chegaram até o limite da sobrevivência.

Independentemente da idade, todas que precisam passar meses nos leitos hospitalares ficam com uma penugem em volta do corpo em resposta à ausência absoluta de gordura e aos batimentos cardíacos ameaçados pela falta de peso. Fábio Salzano, psiquiatra responsável pelo atendimento do Ambulim, diz que as internações dessas pacientes são longas, por cerca de um ano – para efeitos de comparação, os dependentes químicos ficam internados, no máximo, três meses. Dos transtornos psíquicos, explica ele, a anorexia é o mais letal. “A mortalidade chega a 10% dos casos”, afirma.

“Não há o menor glamour. O preço pago é muito alto”, define a especialista da Unifesp, Liliane Kern, que diz encontrar só uma diferença entre as mais novas e as mais velhas com anorexia.

“Se para a adolescente o tratamento tem foco na família, as mais velhas só podem contar com elas mesmas. Todo o esforço de recuperação depende delas”, explica.

Em homens, o percentual é muito pequeno.

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3 comentários:

Leci Irene disse...

Silvia, é um artigo nuito interessante. Só pq a gente passou dos 50, podemos pensar que não estamos expostas ao poder da midia. E, por não querermos aceitar nossa idade e sim querermos voltar à adolescência, as mulheres tentam apagar a sua imagem atual, tentam ser como eram aos 20. E, já viu que as propagandas,os programas e tudo o mais são direcionadas só para jovens?

Beth/Lilás disse...

Silvia,
Que coisa mais triste isso, uma pessoa não se enxergar realmente.
Eu acho que vou ser uma velhinha rechonchuda e não tô nem aí,.
Pox vida, a gente corre tanto da balança quando é mais jovem e na velhice não ter o direito de engordar umas graminhas é uma tremenda besteira.
bjs cariocas

welze disse...

incríveis suas postagens. absolutamente necessárias. sempre oportunas e esclarecedoras. parabéns.

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