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Levar ou não para a casa de repouso?

22 de setembro de 2010 3 comentários

"COLOCAR MEU PAI OU MINHA MÃE NO ASILO? NUNCA!"


Esta frase (quase uma bravata!) já foi ouvida em diversas rodas de bate-papo, quando, por algum motivo, o assunto era sobre pais de amigos e conhecidos que iam para uma casa de repouso. Principalmente, quando é um familiar que, aparentemente preocupado, pouco ou nada ajuda no cuidado de seus pais. Acha que a irmã ou outro familiar que já está cuidando, tem a obrigação moral de ir até as condições mais extremas, mantendo as aparências que o apoio ao idoso está muito bom.

Quando o familiar/cuidador, que lida diretamente com o idoso, está em condição precária, estressado, não agüentando mais a pressão a que está exposto, pede um "tempo" para descansar e repor energias, talvez seja um momento necessário para a possível institucionalização. Institucionalização significa levar o idoso para uma casa de repouso. Há casos, como na doença de Alzheimer, em que o idoso é muito agitado e agressivo, onde os medicamentos pouco resolvem. A família, por melhor que seja, não consegue mais manter o padrão de cuidado, e todos se encontram esgotados. O que fazer?

No Brasil, observa-se um crescimento, ainda que pequeno, de clínicas geriátricas e casas de repouso. São diversos os motivos deste crescimento: o envelhecimento da população, o número cada vez maior de idosos que moram sozinhos, e que, por motivo de doença ou solidão, preferem morar em instituições para a terceira idade, a dificuldade de morar com os filhos…O que se coloca de fato é o seguinte: onde o idoso, devido às condições do momento, ficará melhor? Em sua casa ou na casa de um familiar, mesmo que mau cuidado, com o cuidador em más condições? Ou em uma casa de repouso, com pessoal preparado e treinado para recebê-lo? É uma decisão difícil, de uma família no limite!

A primeira coisa que o familiar deve ter em mente é: não sentir culpa pela procura de outro lugar para o idoso morar. Só quem lida com este tipo de situação, sabe do que estamos falando. Outra coisa: você vai ouvir críticas de familiares e de conhecidos por isto. Não se preocupe com estas pessoas, pois elas em nada ajudam neste trabalho, e quando procuram é para atrapalhar e criticar. Converse com os membros cooperativos da sua família, converse como médico do idoso, conheça o máximo de instituições de longa permanência de idosos que puder, peça referências a quem já tem alguém da família nestas residências. Resumindo, pesquise muito. Quanto maior for o número de dados que tiver a este respeito, mais acertada será a sua decisão.


Márcio Borges
Médico geriatra, especialista em geriatria e gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Editor de conteúdo do portal Cuidar de Idosos. Médico geriatra, especialista em geriatria e gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Editor de conteúdo do portal Cuidar de Idosos.

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3 comentários:

Leci Irene disse...

É algo ou uma situação dificil de enfrentar, decidir. Eu já ando pensando para onde vou qdo ficar idosa!

welze disse...

acho que já comentei com vc, mas depois de cuidar da minha mãe por 2 anos e meio, já estando com as duas mãos operadas por tendinite, dois esporões, um em cada ombro, dois esporões, um em cada pé, e completamente exausta, meus irmãos, que só entravam com a parte financeira, vendo meu estado, resolveram que seria melhor para mim e mamãe que ela passasse uma temporada numa casa de repouso que tinha nossa total confiança. Mesmo sabendo disso, para mim foi muito difícil. Ainda hoje me é difícil até falar sobre isso. Mamãe, por problemas em seu coração, faleceu menos de tres meses depois de internada. Não deixei um dia de ir ve-la. Sabia e sei que interná-la não foi um ato de desamor. mas ainda hoje é difícil para mim, essa parte da minha vida. Não é remorso, mas é difícil. Mas concordo que o lugar sendo bom, com cuidadores carinhosos e eficientes, é o melhor lugar para nossos velhinhos.

Lu Souza Brito disse...

É complicado Silvia. Lá em casa tentamos convencer a minha mãe e levar a nossa vó para uma instituição assim, mas esbarramos em dois grandes problemas:
1) mesmo minha mãe estando esgotada, já que ela cuida SOZINHA da minha vó, ela nao aceita, acha que é injusto, etc.
Mas a saude dela (mãe) está se deteriorando pelo cansaço físico e pelo stress. Ajudantes? Eles nao ficam. São poucos dispostos a enfrentar a barra que é cuidar de um idoso agressivo e com alzheimer. Esta é a realidade.

2) na cidade nao há um lugar decente, recomendado. Então tirar de casa para sofrer maus tratos também é complicado.

Nós (filhas e netas) que estamos a distancia ficamos de mãos atadas. Apenas ajuda financeira é muito pouco. Como disse, só quem passa por esta situação para entender.
Eu sou totalmente a favor colocar em uma casa de repouso, mas....

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