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"O idoso só se torna uma ameaça à família, se a estrutura familiar já está frágil"

21 de março de 2011 1 comentário
"Cuidados: Uma jonada espiritual de amor, perda e renovação".

Pode vir de surpresa ou não. Mas quando os idosos adoecem, ou se tornam dependentes, alguém terá de assumir os cuidados.Filhos atarefados e envolvidos com sua própria rotina têm de lidar com a nova situação que implica, ainda, em assustadoras despesas médicas. Quanto mais cedo à família pensar no assunto, menos sofrimento.

Lidar com os pais idosos ainda é uma surpresa e grande dificuldade para muitos. Uma das razões está relacionada com o repentino aumento da expectativa de vida. Recentemente se percebeu que a perspectiva de envelhecimento da população brasileira estava crescendo em proporções assustadoras, e nós não nos preparamos para cuidar dos idosos.

É difícil para todos. Portanto, não se sinta culpado se não sabe lidar com a dependência dos pais. "Ninguém quer pensar que nossos pais estão envelhecendo ou morrendo, porque então não haverá nada entre nós e a morte", escreve a jornalista americana Beth Witrogen Mc Leod, autora de "Caregiving: The Spiritual Journey of Love, Loss and Renewal" (em tradução livre, "Cuidados: uma jornada espiritual de amor, perda e renovação", não disponível em português).

Além do medo do próprio envelhecimento, imaginar que o parente mais velho se aproxima da morte também gera muita ansiedade e frustração. "O ideal é não pensar em perdas, nem antecipar a morte de ninguém. A pessoa pode estar mal e viver mais trinta anos", diz o psicólogo Renato Veras, coordenador da Unati - UERJ.

Nesses momentos difíceis, são muitos os medos irracionais e é preciso descobri-los dentro de si mesmo para conseguir encarar a responsabilidade. "Quem está à volta com o pai ou a mãe doente, normalmente, não compreende que o problema do idoso é resultado de uma longa história construída. E que ele próprio faz parte daquela história", afirma a sub-coordenadora da Unati, Célia Caldas. "O idoso somos nós mesmos, o nosso futuro", diz.

Por isso, "a família tem que assumir a responsabilidade como um problema dela, e não do outro. Somos nós que estamos envelhecendo e não assumimos isso ainda", conclui. O sociólogo e gerontólogo Ricardo Moragas, professor e pesquisador da Universidade de Barcelona concorda. "Sem querer generalizar, o que o ancião precisa é, normalmente, a soma do que os filhos e netos sentem falta", completa.

Necessidades que não são apenas de natureza financeira ou material, como atendimento médico e remédios, mas também de natureza socio-espiritual. "Pode-se estabelecer um médico de família por metro quadrado que, sozinho, não resolverá o problema do idoso", afirma categórica, Célia Caldas.

Lisa Berkman, professora catedrática do departamento de saúde e de comportamento social da Escola de Saúde Pública de Harvard fala sobre a necessidade do idoso não apenas de receber, mas também de poder participar da vida em família. "O que geralmente faz com que as pessoas idosas sigam em frente é o fato de elas serem capazes de dar, não apenas de receber", explica, no livro Amor e Sobrevivência, de Dean Ornish (Editora Rocco).

Dessa forma, elas são capazes de sentir ainda mais seus verdadeiros valores. "Por isso, os netos são tão importantes", afirma. Dar e receber são preceitos que valem não só para o idoso. "É preciso vencer o preconceito com a velhice e se conscientizar da necessidade de retribuir tudo o que se recebeu dos pais", diz Renato Veras.

"O idoso só se torna uma ameaça à família, se a estrutura familiar já está frágil", analisa o professor Moragas. Por isso, é hora de encarar a fase difícil como um grande aprendizado. Como já dizia o rabino americano Harold Kushner: "se modelarmos uma sociedade em que os idosos sejam queridos e levados a sério, seremos capazes de envelhecermos sem temer esse destino".

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1 comentários:

Eva disse...

Adoro envelhecer, adoro o teu blog e a preocupação na vida plena de dignidade também na velhice, acho de uma sensibilidade espetacular, essa preocupação, numa sociedade que não tem a cultura de valorizar a experiencia e historia vivenciada. Numa sociedade urgente, parabéns!!!!!! muitos abraços na tua vida!

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