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Calçado para o idoso: saiba escolher o mais adequado e quais cuidados ter com os pés - por Dr. Antonio Augusto Couto de Magalhães

14 de fevereiro de 2013 comente
As dicas para a escolha do calçado adequado podem ser gerais ou é preciso ser analisado cada caso individualmente?
Como regra geral em medicina, cada indivíduo deve ser analisado criteriosamente de modo isolado, pois na maioria das vezes somos seres humanos com características próprias que demandam cuidados individualizados. 
Idoso pode usar sapatos “folgados”?
Como todos sabemos, os sapatos muito justos provocam dores, desconforto e muitas vezes, através do atrito mais intenso, podem originar a formação de calosidades nos pés. 
O salto alto pode ser usado normalmente?
Apesar de ser um calçado adorado e considerado elemento fundamental no vestuário das mulheres, principalmente em situações especiais como festas, casamentos, aniversários, etc., o salto alto desloca o apoio normal dos pés, que é de 50% na parte da frente e 50% na parte de trás, para uma sobrecarga na região anterior do pé chamada de antepé de até 80% correlacionada à altura do salto. Além disso, os pés ficam estreitados na câmera anterior já sobrecarregada pelo salto alto e agora comprimida pelo chamado “bico fino”. Esse é um dos fatores desencadeantes da presença maior de joanetes nos pés femininos, alcançando a proporção de termos 7 mulheres com joanete para apenas um homem. 
Chinelos devem ser totalmente proibidos?
Se proibíssemos o uso de chinelos para os idosos, ficaríamos sem clientes, assim como se proibíssemos o salto alto para as mulheres. Em todas as ocasiões, em nossas indicações deve prevalecer o bom-senso. O uso diuturno do salto alto prejudica os pés – que assim o digam as funcionárias que são obrigadas a usá-los com maior frequência. Também o uso dos chinelos pelos idosos não é proibido, mas não devem mantê-los nos pés de um modo contínuo. Os chinelos, apesar de confortáveis, não oferecem segurança durante a marcha e, no caso de idosos com a musculatura dos membros inferiores mais frágil, eles terão mais facilidade de sofrer quedas. Um fato a ser lembrado no uso de calçados pelos idosos é o piso. Se o piso for liso como mármore e/ou azulejos, devem ter mais cautela, e quando molhados, o perigo de quedas aumenta. Um calçado fechado protege melhor os pés e produz uma maior firmeza durante a marcha. 
O uso inadequado de sapatos por idosos pode trazer quais consequências?
As consequências são inúmeras e dependerão do formato dos pés, tipo de calçado, solo, patologia sistêmica do paciente como diabetes, por exemplo. Nos pacientes diabéticos tipo II, em média após 10 anos do início da doença, pode ocorrer a perda da sensibilidade dos pés. Esse fato torna seus pés muito vulneráveis a qualquer objeto sem que o paciente sinta dor, que é um mecanismo de defesa dos pés. Podem ter seus pés lesados por qualquer tipo de objeto perfurante e só perceberem posteriormente e com grande risco de infecção, que é quatro a seis vezes maior nos diabéticos, além da dificuldade de cicatrização dessas feridas nesses idosos. 
Unha encravada, calosidades e joanete também são problemas que atingem os idosos?
Sim. Todas essas patologias podem atingir os idosos. Ao indicarmos tratamento cirúrgico nos pés dos idosos, devemos ter uma maior cautela quando os compararmos aos pacientes jovens ou adultos. Lembramos que, de acordo com a OMS, são considerados idosos os indivíduos acima de 65 anos e que o índice mundial de longevidade tem aumentado com rapidez, portanto o número de idosos em nossos consultórios deverá aumentar, e é essa a maior razão deste nosso aconselhamento: tratem as patologias dos pés em idosos de um modo geral mais conservador e menos intervencionista, pois as complicações decorrentes das alterações de ordem geral ou sistêmica abrangem todas as áreas do corpo humano. 

Gostaríamos de salientar que, muitas vezes, um joanete exuberante no pé de uma senhorinha viúva e sem filhos com 85 anos, que mora sozinha e cuida de seus afazeres domésticos, incluindo a compra diária no supermercado e padaria e não faz grandes deslocamentos, pode ser tratado com a confecção de calçados especiais. Porém, quando submetida à correção cirúrgica, será exposta a riscos de anestesia e infecção desnecessários ao seu bem-estar. Esse exemplo não significa que não operemos pacientes idosos. Só insisto em afirmar que a indicação deverá ser reservada aos casos de extrema necessidade e que sejam tomadas as cautelas necessárias com precisão. 

Em parceria com o sapato adequado, a higiene dos pés também faz a diferença para uma vida saudável?
A higiene dos pés é fundamental a todos, sejam idosos ou não. Todos sabemos o que acontece quando ficamos sem trocar as meias! Não será possível termos uma longevidade se não cuidarmos com muito respeito do nosso corpo, seja com atividades físicas, alimentação adequada e limpeza diária.

Dr. Antonio Augusto Couto de Magalhães – CRM/SP 21333 - é Doutor em Ortopedia e Traumatologia e Mestre em Cirurgia Plástica Reparadora pela Universidade Federal de São Paulo. Possui experiência na área de Medicina, com ênfase em Ortopedia e Traumatologia do pé e tornozelo.

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