1.o Colocado "LONGEVIDADE HISTÓRIAS DE VIDA BRADESCO SEGUROS" 2012

Muito tocante.

28 de agosto de 2013 comente
O fotógrafo Phillip Toledano passou por um drama: em 2006 sua mãe faleceu, e desde então ele começou a perceber o quão grave estava a memória do seu pai, que perguntava constantemente sobre sua ela, mesmo depois de quinze minutos após chegarem do funeral de sua mãe.
Para não magoá-lo mais, toda vez que ele perguntava Toledano decidiu dizer que ela tinha ido para Paris cuidar de um irmão doente. Seu pai não tinha Alzheimer, mas sua memória não gravava nada que fosse recente, ele então decidiu registrar o cotidiano dele com o pai (no qual ele não morava mais junto e passou a morar) e fez um ‘jornal’, um registro, que ele publicou no site chamado: Days With My Father (Dias com meu pai) que começou como um blog de registro dos 3 últimos anos com seu pai e tempos depois se transformou em um livro.
Acompanhe algumas imagens – as vezes irreverentes, tocantes e belas – do cotidiano e convívio dos dois:
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Eu pedi ao meu pai para olhar para o espelho, enquanto eu fotografava ele. Agora, imagine que meu pai era muito bonito quando era jovem. Quando as pessoas falavam “galã de filme”, então, era ele, mesmo, ele foi um ator famoso dos filmes da década de 30. Mas, quando ele olha agora no espelho, ele vê um homem devastado, não mais galã, e isso o deixa muito triste. Agora veja, ele tem 98 anos, e sua vaidade ainda é extraordinária.
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Eu procurei esse caderno por toda a casa… eles são um vislumbre de sua mente, a inquietação que ele tenta esconder de mim.
“Onde está todo mundo?”
“O que está acontecendo?”
Como ele se sente perdido.
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Meu pai e minha esposa, Carla, de mãos dadas. É incrível como ele pode observar os menores detalhes.
Se ela tinha tirado a sobrancelha, ou estivesse vestindo um vestido novo, ele iria comentar.
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Meu pai frequentemente me diz que quer morrer.
Ele diz que é hora dele ir. Que está vivo há muito tempo. É estranho, porque parte de mim quer que ele vá também.
Isso não é vida pra ele. Vivendo o crepúsculo de meias memórias. Mas ele é o único mais perto da família que eu deixei. 
Veja, eu sou filho único. Depois dele, acabou. (…)
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Esse é o George.
Meu pai nunca lembra o nome dele, então ele o chama de “o vira-lata”. (…)
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Meu pai desprende uma quantidade enorme de tempo no banheiro. Porque ele tem perda de memória recente, ele pode ficar lá por horas a fio. É de cortar o coração, mas também dá muita raiva.
Ele vai fazer suas necessidades. E então, quando ele está colocando as calças ele diz: “Espere um segundo, eu tenho que ir”. (…)
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Eu amo momentos como esse.
Por um pequeno instante, quase tudo parece normal de novo. Minha mãe não está morta, e não estamos fingindo que ela foi pra Paris. 
Ela saiu para a loja, mas vai voltar rapidamente.
Quão doce isso seria.
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Meu pai era muito engraçado.
Eu pus esses pequenos cookies em seu peito, e ele disse: “Olha minhas tetas”
Como você não pode rir?
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Meu pai é um incrível contador de histórias.
Eu adorava ouvi-lo por muito tempo desde que eu me lembro. E eu sempre tive muito orgulho de suas performances vencedoras do Oscar. (…)
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Eu sempre ficava surpreendido com o amor do meu pai pela minha mãe.
É uma força constante, como a luz do sol, ou a gravidade.
Ele nunca parou de falar dela, sua gratidão pelo seu amor, pela relação que eles tiveram. (…)
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Então, meu pai faleceu ontem.
Eu fiquei a noite toda com ele, segurando sua mão, escutando sua respiração, me perguntando quando seria seu fim. Ele morreu em sua cama, em casa, com Carla e eu próximos a ele.
Nos últimos três anos, eu estive esperando. Com medo de que ele morresse enquanto eu estivesse fora. Eu não queria que ele fosse sozinho, ou cercado por estranhos, ou plugado a máquinas. Eu sei que soa estranho. Mas eu estou muito agradecido pela forma que aconteceu.
Eu me sinto um sortudo por ter passado os últimos três anos. Por não ter mais nada pra dizer. Por saber que nós amamos um ao outro nus, sem constrangimento. Por ter sentido seu orgulho por minhas realizações. E ter descoberto o quanto engraçado ele era.
Que incrível, incrível presente.
Phillip Toledano.

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