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AIDS - Como a doença afeta a geração Woodstock e do sexo livre, que chega aos 60 anos

28 de agosto de 2009 comente

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"A depressão é a pior conseqüência que o vírus traz. A Aids é um estado de espírito" (Corina, que já passou dos 60 anos, coordena a Ong Viva a Vida, de apoio aos soropositivos, no Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (HSE).


A geração Woodstock e do sexo livre que chega hoje aos 60 anos se depara com um novo problema: a AIDS. Segundo dados do Ministério da Saúde, o primeiro caso da doença em pessoas com mais de 50 anos foi notificado em 1982. Desde então, até junho de 2008 foram notificados 47.437 casos, representando 9% do total de casos.

Com base nas pesquisas feitas pelo Ministério da Saúde, a tendência é o aumento do número de soro-positivos que contraem o vírus depois dos 50. É que, nessa faixa-etária, 73,1% ainda fizeram sexo no último ano e não se vêem como um grupo de risco. Por conta disso, abrem mão do preservativo. Para agravar o quadro, os próprios médicos ainda não se preocupam em realizar o teste de HIV naqueles que já passaram dos 50, e o diagnóstico termina chegando, algumas vezes, muito tarde.

O crescimento a um conjunto de fatores, como o aumento na expectativa de vida e o conseqüente prolongamento da atividade sexual, o avanço da ciência na melhora do desempenho sexual (pílulas, próteses de pênis e reposição hormonal) e a aversão à camisinha.
Faltam campanhas de prevenção.

O diagnóstico da Aids na terceira idade é mais difícil, entre outras razões, porque os sintomas são confundidos com doenças típicas do envelhecimento, como fadiga, falta de ar e insônia. Além disso, os médicos não estão atentos para os riscos de infecção nesse público, como explica Jacqueline Menezes.

"As mensagens sobre a sexualidade do idoso deveriam ser mais diretas, simples e explícitas. É preciso acabar com esse tabu", defende. Para Jacqueline, as campanhas deveriam esclarecer que todos precisam fazer o teste e buscar a prevenção, inclusive os que acham que estão fora de risco.

Duas barreiras: tratamento e preconceito

Uma vez descoberto o diagnóstico, os portadores de HIV, muitas vezes, partem para uma fase dolorosa: o tratamento. Jacqueline lembra que o tratamento do HIV se aperfeiçoou muito ao longo dos anos.

Antes, eram necessárias oito cápsulas. Hoje, o paciente toma uma pela manhã e outra à noite. No entanto, nada mudou em termos de efeitos colaterais. Ou seja, a medicação é agressiva e, no caso dos idosos, que muitas vezes tomam outros remédios, há o risco das internações por conta de incompatibilidade entre as drogas. Mesmo assim, Jacqueline afirma que os pacientes com idade avançada são muito disciplinados.

O preconceito dos familiares, diz ela, é outra barreira que os mais velhos enfrentam na luta contra a Aids. "Minha filha ficou sabendo antes de mim e, em um ataque de raiva, falou coisas que não devia. Os familiares atrapalham em muitos casos", acredita. O médico Fernando Ferry diz que o preconceito também vem de outras esferas, como a vizinhança e o trabalho e que é preciso cuidado na busca de cumplicidade, pois nem todos estão preparados para enfrentar um desafio tão grande.


Leia mais:

Os dados do Ministério da Sáude
www.aids.gov.br - Programa Nacional de DST/AIDS
www.aids.org.br - Grupo pela Vida
www.agenciaaids.com.br -
Agência de Notícias da AIDS
www.aidsbrasil.com



Dr. Fernando Ferry - Adjunto VI de Clínica Médica e AIDS da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), exercendo atividade docente e de pesquisa no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Centro Nacional de Referência em AIDS. Tem experiência na área de Medicina, Especialista Clínica Médica em aids, atuando principalmente nos seguintes temas: tratamento clínico da aids, aids em idosos.
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