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Emoções na era digital - *Por Ray Pereira

10 de setembro de 2009 comente





Os romances virtuais, vistos com reservas até bem pouco tempo, já não assustam.

A década de 60 foi uma das mais ricas do século XX. A revolução sexual abalou estruturas e comportamentos até então intocáveis, produzindo novas formas de se pensar a sexualidade, o corpo, as relações afetivas, o prazer e mais uma lista extensa de mudanças que não cabe pontuar aqui.

Curiosamente, uma outra transformação germinava naquele mesmo período. A rede de computadores que nesse momento promove o nosso encontro por meio desse texto nasceu no final da década de 60. Na ocasião, a rede ganhou o nome de ARPANET e o interesse básico era de caráter militar. Certamente que o Departamento de Defesa norte-americano, mentor e mantenedor daquela rede, naquela época nem cogitava que num futuro não muito distante, transitaria pela rede muito mais que conhecimento científico e segredos militares: a rede mundial de computadores seria farta de segredos de amor... farta de emoções.

Tão logo os pioneiros dos romances digitais começaram a surgir, os holofotes da crítica e dos rótulos foram apontados para eles. Um bate-papo ou uma paquera despretenciosa no ICQ ou num chat era suficiente para diagnosticar o desajuste afetivo-social de alguém, como se as relações humanas tivessem palcos restritos, rígidos e bem delimitados para acontecer.

Os romances virtuais, vistos com reservas até bem pouco tempo, já não assustam tanto. A Internet já conquistou entre nós o status de mediadora, aproximando pessoas, favorecendo o surgimento de novas relações e até conferindo nova qualidade a elas. Certamente que para muitos a rede tem sido exatamente o oposto disso, mas, é daí? O fato de promover encontros e desencontros mostra que ela não traz nenhuma fórmula mágica para a felicidade de ninguém. O canal é novo, mas as pessoas são as mesmas. Conectadas ou não.





*Ray Pereira é psicólogo atuante na área clínica, mestre em psicologia social e pesquisador na área de relacionamentos afetivos na Internet.

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