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O lado bom da solidão - Por Ilana Ramos

26 de março de 2012 comente

 Para quem vive sozinho aos 50, a solidão também pode ser uma boa companheira.
Quando estamos em companhia da família e dos amigos e mal conseguimos ouvir os nossos pensamentos, imaginamos que seria bom ficar sozinho. No entanto, quando esse distanciamento não é voluntário , esquecemos o quanto esse momento pode ser muito bom para nós. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já existem três milhões de brasileiros com mais de 60 anos de idade morando sozinhos, um número considerável. Descubra as vantagens dessa fase da sua vida e comece a ver o lado bom da solidão.

O número de pessoas com mais de 50 anos de idade que moram sozinhas está aumentando. E a explicação para isso é bem simples. De acordo com a psicóloga clínica especialista em Gerontologia pela Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UnATI/UERJ) Avany Castro, "cada vez mais as pessoas procuram manter sua identidade, independência e autonomia. Nessa idade os filhos já estão ficando independentes e muitos estão deixando o 'ninho' para alçarem seus próprios voos. As relações familiares sofreram fortes alterações e não me assustaria nem um pouco se alguma estatística confiável me dissesse que as pessoas com mais de 50 preferem morar sozinhas".

Viver só não significa estar só. O que vale mesmo é socializar, até porque pessoas que optam pela solidão, morem ou não sozinhas, têm mais riscos de desenvolver depressão. "Pessoas que moram sozinhas, que não compartilham suas queixas, suas histórias de vida e não estão inseridas em algum grupo social têm mais chances de desenvolverem depressão. Por volta dos 50, as mulheres ficam mais suscetíveis à depressão pois têm de lidar com perdas tais como do lugar que ocupam na vida dos filhos e do marido, da beleza, do tempo para realizar projetos de vida. A menopausa também pode agravar algum quadro depressivo e não é raro mulheres nessa fase desejarem se isolar, ficarem tristes e chorar sem motivo aparente. Mas é fato que viver só não significa estar só, nesse caso, acredito ser por opção. Não se pode esquecer que viver requer adaptação e constantes mudanças", argumenta Avany.

A manutenção da independência e da identidade daqueles que moram sozinhos não parece ser suficiente para algumas pessoas. Avany explica que "a pessoa com mais de 50 pode se questionar acerca de seus valores e do tempo de que dispõe para modificar o que realizou ou mesmo realizar algum desejo. A realidade apresenta-se mais dura com relação ao tempo que tem para projetos e sonhos não realizados. Há uma revisão geral da vida e aí o medo pode ter relação direta com a questão do negativo. Mas têm aqueles que acham que a vida começa aos 40, 50 anos e seguem em frente confiantes, aproveitando a sabedoria que maturidade vai trazendo e que quando se aposentam vão realizar antigos projetos, vão curtir a vida, sem pressa, saboreando cada momento, respeitando os limites do corpo".

A liberdade de ter 50, a vida encaminhada e a opção de morar sozinha para curtir isso sem interferências é privilégio de poucos. "Nessa idade, a liberdade segue rumo a realização de si mesmo. Na maioria dos casos chegam netos, crianças que trazem na sua energia uma resignificação da vida. Morando só tem-se maior oportunidade de despertar a criança interior, seguir uma fé, realizar trabalho voluntário, despertar a sabedoria do corpo e experiências vividas, enfim, ser criativo, despertar o leão que há dentro de si para a transformação da vida e não do vazio. Fórmula mágica não existe, porém, agindo com leveza e aceitando a passagem do tempo, fica mais fácil manter o bom humor e ter apoio, seja de familiares ou de amigos em momentos críticos da vida", conclui a psicóloga.

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