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Câncer de boca em idosos - boas notícias

21 de novembro de 2013 comente




O temor muitas vezes é pior do que a própria lesão

A incidência de casos de câncer de boca em pessoas idosas tem crescido significativamente no Brasil. Isso acontece por conta do aumento da longevidade da população brasileira, como ocorre em vários países. Como o tratamento pode ser muito agressivo, o estado de saúde geral do paciente é levado em consideração. E, neste contexto, sempre foi um dilema a escolha do tratamento do câncer de boca em idosos. Por vezes, ele foi executado de forma paliativa porque se acreditava que o paciente não suportaria a terapia e acabaria morrendo em sua decorrência.

O pensamento era o de que o tratamento poderia ser mais agressivo do que a própria lesão em si. Contudo, um estudo recente trouxe bons resultados sobre o assunto.

Um trabalho publicado no periódico Aging clinical and experimental research por pesquisadores do Rabin Medical Center, de Tel Avivi, em Israel, com o título de Squamous cell carcinoma of the oral tongue in patients over 75 years old, mostrou que o comportamento do câncer de boca em pacientes com mais de 75 anos não é diferente das outras faixas etárias. E mais: que o tratamento tem estatisticamente o mesmo efeito nesse grupo.

Os pesquisadores perceberam, inclusive, que a taxa de sobrevida de 5 anos observada nos pacientes com mais de 75 anos de idade foi maior do que no grupo com menor idade. Essa taxa nos pacientes mais velhos ficou em 65%, enquanto que no outro grupo ela foi de 58%. Esse dado, mesmo não tendo diferença estatística, chama atenção considerando os números absolutos. Os pesquisadores ressaltaram também que a maior dificuldade no tratamento do câncer de boca nos pacientes idosos foi o diagnóstico tardio da doença. Da mesma forma como acontece em qualquer faixa etária de pessoas com essa doença.

Quando essa lesão tem mais de três centímetros de tamanho já é considerada em fase avançada. E, devido ao seu perfil biológico, em pouco tempo pode atingir esse tamanho. Essas informações reforçam, ainda mais, a importância do diagnóstico precoce e a prevenção do câncer de boca. Por isso, é sempre relevante alertar que as pessoas devem observar na boca bolinhas ou caroços, mesmo que pequenos, manchas brancas, vermelhas ou escuras e feridas que até podem sangrar e doer. Nestes casos, é muito importante procurar um dentista para avaliação e a realização de exames como citologia esfoliativa ou biópsia, o que é necessário na maioria dos casos.

As pessoas com alguma alteração em boca não precisam ficar ansiosas com o pensamento de que se trata logo de um câncer. O temor muitas vezes é pior do que a própria lesão, já que afasta o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. Inclusive, na maioria das vezes, essas alterações são benignas e não provocam danos mais sérios. Contudo, isso somente pode ser verificado após a realização desses exames preventivos.

ARLINDO ABURAD é dentista, patologista bucal do Hospital de Câncer de Mato Grosso, 
doutor em Patologia Bucal pela USP e professor universitário.
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